Na manhã desta segunda-feira (13), servidores da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) participaram de uma palestra em alusão ao Janeiro Branco, campanha dedicada à conscientização sobre saúde mental. O evento, realizado no Plenário Valério Caldas Magalhães, abordou o tema “O que fazer pela saúde mental agora e sempre?” e foi conduzido pelo psicólogo Wagner Costa.
De forma dinâmica, ele promoveu exercícios práticos de autopercepção estabelecendo uma conexão direta com a realidade dos participantes. O psicólogo solicitou que os servidores fechassem os olhos por um minuto para reconectar-se com memórias positivas, demonstrando na prática como pequenas pausas podem influenciar significativamente o bem-estar emocional.
O palestrante apresentou dados alarmantes sobre o cenário atual da saúde mental. “Em 2023, o bem-estar mental permaneceu em seu nível mais baixo pós-pandemia, sem sinais de retorno aos níveis pré-pandêmicos. Entre 71 países, o Brasil está nas últimas posições, e o interessante é que maior riqueza e desenvolvimento econômico não necessariamente levam ao bem-estar mental”, alertou, desmistificando a ideia de que prosperidade financeira é sinônimo de saúde emocional.
A base do bem-estar emocional, segundo Wagner, está nos relacionamentos interpessoais. “Uma vida boa começa na construção de bons relacionamentos. Saúde mental tem a ver com saber que existem pessoas que podem cuidar de mim e eu me sentir seguro com essas pessoas. Se hoje de madrugada você passa mal, às 2h da manhã, para quem você liga? Então você tem um compromisso hoje de ligar para essa pessoa e avisar que ela é importante para sua vida”, aconselhou.
Estratégias
Durante a conversa, Wagner apresentou cinco estratégias fundamentais para a manutenção da saúde mental. A primeira foca na respiração consciente como ferramenta de regulação emocional. “Quando você faz exercícios de respiração constantemente, sua amígdala cerebral aprende a reagir com mais suavidade ao estresse do dia a dia. Respirar mal está ligado ao transtorno de ansiedade. É um treino, e como tudo que fazemos pela primeira vez, é difícil no começo”.
A segunda estratégia aborda o desenvolvimento da autoestima de forma realista e saudável. “Faça bem aquilo que você sabe, confie em você, e quando tiver dúvida, pergunte a quem sabe. Pare de achar que você é incompetente. Se você se acha feio ou feia, é porque não está se olhando direito. Comece a se olhar nas fotos, isso é autoestima: é você se acostumar consigo mesmo”, explicou.
O autoamor constitui a terceira estratégia. “Precisamos nos amar por completo, com qualidades e defeitos. É assumir o compromisso de que, fazendo certo ou errado, vou continuar do meu lado, continuar a me desenvolver. Falar de saúde mental não é nada mirabolante, é aceitar que em nós existem coisas boas e ruins”, defendeu.
A quarta estratégia enfatiza a importância de criar e valorizar momentos positivos. “Criar momentos bons na sua vida. Ver o sol nascer, abraçar seus filhos, beijar seu esposo ou esposa por mais de seis segundos, que é o tempo de liberar a ocitocina. Lembre daquele momento em que você conheceu seu parceiro, que estava apaixonado. Emoções positivas relaxam e diminuem o estresse. Quanto mais você incorporar coisas boas no seu pensamento, melhor lidará com as dificuldades”, disse.
Por fim, a quinta estratégia foca no controle dos pensamentos e no desenvolvimento da resiliência mental. “Toda vez que acontece um evento, isso gera uma avaliação cognitiva [pensamento] que mexe com nossas emoções e afeta nosso comportamento. O psicólogo pode ajudar a entender que muitas perturbações na nossa vida fazem parte desses pensamentos que não fazem sentido”.
Impactos das redes sociais
O impacto das redes sociais na saúde mental contemporânea, destacando como a exposição constante a imagens idealizadas pode distorcer nossa percepção da realidade, também foi abordado. O especialista advertiu que as redes sociais geralmente apresentam apenas momentos cuidadosamente selecionados e editados, ocultando as dificuldades e desafios que são parte natural de qualquer trajetória humana.
O psicólogo concluiu a conversa enfatizando que a saúde mental é uma construção coletiva e contínua. “Precisamos conversar mais, interagir mais, isso é fundamental para que nós consigamos sobreviver a essa vida atual”, finalizou.
- FONTE: ALE-RR







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