“É uma escalada de desânimo, que se mistura com uma cobrança constante por resultados, e isso vai te estressando e você não se reconhece mais como um bom profissional. Você se autossabota o tempo todo, questiona para si mesmo se o que você está fazendo está correto, mesmo sabendo que você é um bom profissional. Desânimo, falta de vontade de fazer as coisas, cansaço, eu chegava a chorar antes de ir para o trabalho, porque meu emocional ficava extremamente fragilizado, você não quer encontrar aquelas pessoas, o ambiente se torna tóxico”.
O relato de André – nome fictício – revela a ponta do iceberg chamado Síndrome de Burnout. A doença, que entrou para o rol das enfermidades causadas pelo trabalho, pode apresentar quadros ainda mais severos, como crises de ansiedade, que também afetaram André inúmeras vezes, a ponto de fazê-lo buscar ajuda profissional e precisar de medicamentos para dormir. Em situações ainda mais gravosas, a Síndrome de Burnout pode causar depressão e trazer sérias consequências para o convívio familiar e social do paciente.
“Quando ia dormir, vinham pensamentos perturbadores que não me deixavam descansar. No dia seguinte, ficava ainda mais desanimado, porque se você não dorme, não fica bem. Foi quando decidi buscar um psicólogo e um psiquiatra para me ajudarem a recuperar minha saúde mental, e pedi demissão do trabalho. Ainda estou em tratamento, mas me sinto melhor. O que fica também é o trauma do mercado de trabalho: ‘Será que vai ser do mesmo jeito no outro emprego?’. E isso a psicoterapia auxilia bastante a enfrentar”, afirma André.
- FONTE: ALE-RR







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